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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Conflitos, debates, rupturas e criação...

Uma palavra  que nos incomoda quando pronunciada é conflito, pois vamos encontrar nos dicionários sinônimos como luta, combate e guerra.
Quando analisamos a palavra como estado de tensão, desconforto com a situação, podemos perceber que as definições acima estão mais ligadas a uma das resoluções do conflito que a este propriamente.
Quando você tem um conceito sobre uma situação e eu outro  entramos em conflito, o que não quer dizer que  vamos pegar em armas e nos fuzilarmos.
Podemos considerar três hipóteses:
1) Entrar em guerra e nos agredirmos;
2) Entrar em negociação e chegarmos a um acordo;
3) Reformularmos tudo, criando uma nova situação.
O homem explora o fundo do mar, voa pelos céus e viaja pelo espaço, não sem antes ter entrado em conflito com seus semelhantes, com os conceitos vigentes e consigo mesmo.
Tomemos como exemplo  um dos maiores conflitos em que o homem se envolveu,  gerando uma das mais extraordinárias invenções que mudou a história da humanidade, a superação da gravidade.
Em 1709, um jesuíta brasileiro, Bartolomeu de Gusmão,  fez ensaios com pequenos balões de ar quente, mostrando que seria possível voar.  Alguns anos depois, Julio Cezar Ribeiro de Souza, nascido no estado do Pará,  fez avanços na questão da dirigibilidade dos balões, datam as informações como 1880. Posteriormente, Santos Dumont, em 1901, com seu dirigível, contornou a Torre Eifel.
O homem, não contente, continuou desafiando a gravidade, e  tomando um dos fatos mais conhecidos,o  alfaiate Franz Reichelt, em 1912, saltou da torre Eifel com uma capa parecida com a  do batman, acreditando que esta o sustentaria e flutuaria. Alguns segundos depois, perderia a vida tentando resolver o conflito em que estava: sua crença em poder superar a gravidade.
Hoje, além dos aviões, foguetes, temos   para quedas e asas-delta, sem que esse conflito esteja totalmente resolvido, pois o homem continua a desafiar a gravidade.
Todo processo criativo é um processo de ruptura, como nova cor, nova forma, novo jeito, novo sabor.
Lembra da introdução do cinto de segurança nos carros?
Dá para negar que foi uma quebra de conceito, de padrão de comportamento, geração de conflito?
Um conflito que leva ao debate, a rupturas de conceito  e  gera tensão necessária  para criação.
Felizmente,  hoje ninguém precisa, como Galileu Galilei, negar que a terra é redonda para não ser condenado à fogueira pela inquisição. Demorou, mas sua reabilitação oficial aconteceu em 1.992, com  o papa João Paulo II, lembrando   que sua  condenação ocorreu em  22 de junho de 1633.
A questão positiva mantida a ordem dos fatos é que  conflitos, debates, geração de tensão criativa  e  ruptura levam ao processo de criação e implementação de mudanças.
O lado negativo do processo se dá quando os debates levam ao conflito e rupturas, reduzindo substancialmente as chances de criação e mudanças.
Não é incomum situações negativas serem revertidas, mas o preço a ser pago e os danos são infinitamente maiores.
Muitos estudiosos de administração defendem a geração e administração de conflitos como forma de gerar energia necessária para mudanças, contudo não há nada  que incomode mais um bom número de  gestores do que confrontos de idéias.
Não são poucas  as empresas despreparadas para  gerenciar o otimizar o lado positivo dos conflitos, basta acompanhar as áreas de criação, desenvolvimento, engenharia de produtos  e as áreas produtivas.
Sempre que tiver que administrá-los lembre-se que é a queda d’água que gera energia.


http://www.consultores.com.br/artigos.asp?cod_artigo=956

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