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quinta-feira, 3 de maio de 2012

COMPETÊNCIAS DEMANDAS DAS SECRETÁRIAS DA CELPE

                             Secretárias Executivas atuando no mercado de trabalho


De acordo com os depoimentos obtidos na entrevista, pôde ser identificado que as secretárias da CELPE, como seu quadro geral de funcionários, têm a oportunidade de crescimento e desenvolvimento profissional dentro da empresa, devido à identificação do perfil do funcionário com os propósitos e a missão da empresa.
Este é o caso de Conceição, que começou na CELPE, ainda como empresa pública, através de uma empresa terceirizada, e por conta de seu desempenho passou a fazer parte da instituição, resistindo às mudanças, quando a empresa se tornou privada. Para se aperfeiçoar, ela foi submetida ao estudo da língua espanhola pela empresa, uma vez que a organização foi vendida a um grupo espanhol. Assim sendo, hoje, ela é formada pela UFPE em Secretariado Executivo, possui pós-graduação em Secretariado Executivo com ênfase em tecnologia da informação pela ESURPE, é docente na ESURPE no curso de secretariado, e ainda é diretora cultural do sindicato das secretarias, estando aproximadamente a nove anos na empresa.
As demais galgaram na empresa, por terem cursos e especializações na área na qual
desempenham suas funções. Na época da reestruturação com a privatização, foi extinto vários cargos, como os de nível técnico para secretária, elevando as que apresentavam as
competências exigidas a tais cargos criados, valorizando a categoria do profissional de
secretariado, pois apenas na presidência, nas superintendências e nas diretorias existem cargos de secretária.
As atividades desenvolvidas pelas secretárias dos diversos departamentos são semelhantes, como, arquivo, passagens, reserva de hotéis, agenda, atendimento telefônico e organização de eventos.
Porém, a secretária da superintendência agrega a suas atividades, coordenação para
apresentação de resultados, assessoramento necessário para todo departamento da
superintendência, elaboração de relatórios e tendo ética na parte de demissão, admissão, pois, é o link entre gerente e gestor com empregado.
Enquanto que, a secretária do departamento de responsabilidade social, faz
planejamento orçamentário, trabalha com o controle de objetivos de departamentos, avaliação e contratação de empresas, uma vez que toda atividade de responsabilidade social passa por um processo de avaliação para ser validada, a imagem institucional e a relação com a imprensa também fazem parte de suas atividades.
Já as funções exercidas pela secretária da presidência, são desenvolvidas no âmbito
das corriqueiras, contudo, assessorando mais intensamente, tendo a liberdade de opinar nas
tomadas de decisão, pois, sendo o elo entre empresa e funcionário, lhes permitem um maior
conhecimento dos problemas que a empresa precisa solucionar, tanto com clientes, fornecedores, como com os próprios funcionários. Entretanto, a secretária da diretoria financeira, além das funções triviais, atua mais na elaboração de relatórios, que não deixa de ser uma atividade corriqueira, mas exigindo certo grau de conhecimento na área financeira.
Dessa forma, o perfil identificado, é de profissionais capacitados, qualificados, com nível superior, e, até mesmo, pós-graduação. São pró-ativos, dinâmicos, comunicativos, sabem se relacionar interpessoalmente, têm um comportamento ético, têm habilidades para negociação, além de serem comprometidos com o que fazem.
Entretanto, por ser uma empresa que prática Responsabilidade Social, além de todas essas competências citadas acima, as secretárias precisam saber trabalhar com as comunidades para que o trabalho seja desenvolvido com qualidade. Segundo Sueli, “dedicação, comprometimento, gostando do que faz, fazer com eficiência e eficácia e se  comprometendo com o resultado da empresa, vai ajudá-lo a seguir melhor em suas atividades”.
As atribuições mencionadas são indicadas para qualquer funcionário, sendo também relevantes para as secretárias pelo fato delas lidarem diretamente com o executivo. Deste modo, sempre que produzir um bom rendimento numa atividade ou organizar um projeto social que seja bem visto pelas comunidades, clientes, o próprio grupo de empregados da empresa, seu trabalho será reconhecido como um retorno positivo para a organização. As competências demandadas pela CELPE que foram citadas acima estão plenamente de acordo com o que foi exposto por Moraes (1997), Costa (1999) e Neves (1992) ao considerarem que as atividades dos secretários vão além das práticas burocráticas do cotidiano da empresa.
Um outro ponto ressaltado na entrevista é a questão ética, de acordo com Paula, que já
trabalhou em uma outra empresa, onde não se praticava Responsabilidade Social, uma vez
que, por ser uma empresa de aço e não apresentava preocupação como meio ambiente, havia uma diferença cultural que refletia no comportamento dos funcionários que eram menos
ligados às questões éticas.
Segundo Paula, “na CELPE, há realmente um comprometimento percebido nos
funcionários, não só pela imagem que traz para a empresa, mas pela questão de sentimento
mesmo, de zelar pelo bem estar do ser humano, pois a instituição está sempre reforçando sua missão e seus propósitos”, onde a ética faz parte, no funcionário.
As palavras mencionadas acima expressam uma idéia semelhante à de Srour (1998, p.
294) quando diz que, “a responsabilidade social remete, em síntese, à constituição de uma
cidadania organizacional no âmbito interno da empresa e a implantação de direitos sociais no âmbito externo”. Pois como já foi visto, a ética é a base de sustentação da responsabilidade social e se expressa através dos princípios e valores adotados pela organização, fazendo-se necessário, portanto, que a organização busque uma linha de coerência entre o discurso e a prática de suas ações.
Deste, modo o profissional deve gostar ou adquirir interesse por trabalhar com comunidades, já que, a empresa está sempre proporcionando aos funcionários o dever de prestar a assistência social, uma vez que os propósitos da empresa incluem essa responsabilidade, e por sua vez, a empresa cobra do funcionário.
Como mencionou Rafaele, o fato da empresa praticar responsabilidade Social causou impacto no perfil das secretárias, pois “elas estão engajadas nos projetos sociais”. Verifica-se a existência de novas competências que passaram a serem exigidas aos profissionais, tais como, ter sensibilidade por questões sociais e ambientais, como também possuir capacidade de avaliar qual estratégia de gestão mais adequada para se atingir os melhores resultados para a empresa, beneficiando a comunidade onde está inserida.
6. CONCLUSÃO
Esta pesquisa teve como objetivo analisar quais as competências necessárias ao secretário executivo no novo contexto da responsabilidade social. Para tanto, pesquisou-se conceitos sobre responsabilidade social, como também o atual perfil da profissional em secretariado, analisou-se uma empresa que pratica responsabilidade social e o perfil das secretárias que fazem parte desta, e identificou-se e analisou-se as competências exigidas às secretárias.
Os resultados obtidos através da pesquisa bibliográfica identificam que a Responsabilidade Social está sendo bastante discutida na sociedade e principalmente no mundo organizacional, passando a ser um diferencial das empresas que concorrem em um mercado cada vez mais competitivo.
Com as entrevistas, verificou-se que o profissional de secretariado executivo terá de apresentar, além da sensibilidade e do interesse por questões sociais e ambientais, a capacidade de avaliar qual a estratégia de gestão mais adequada para se atingir os melhores resultados para a empresa e para a comunidade em que a mesma está inserida.
Identificou-se, que ser comunicativa, ter capacitação em informática, cursos de qualificação, ser dinâmica, criativa, pró-ativa, determinada, confiante, ter habilidade para liderar, ter um comportamento ético, agregando os valores transmitidos na missão e propósito da empresa e gostar do que faz, são requisitos para a eficiência deste profissional.
Conclui-se que, empresas que realmente trabalham com seriedade e comprometimento, visando o ser humano e não apenas o fator financeiro, podem buscar profissionais que pensem e ajam de acordo com seus propósitos, visando as mesmas causas e o atendimento das metas, para que possam ser alcançados os objetivos, com transparência, honestidade, e o mais importante, com ética. Com isso, os profissionais, não só precisam ser qualificados, eles precisam passar a ter interesse pelas causas sociais e ambientais, e passar a agregar essas competências em busca das metas da empresa.
Por fim, a presente pesquisa não se esgota em si mesma, sendo, muito pelo contrário, geradora de novos questionamentos e desafios futuros. Deste modo, sugere-se ampliar o
estudo, analisando as competências demandadas por outros secretários em outras empresas, já que a realização do estudo de somente uma organização entrevistando quatro secretárias foi uma limitação deste.

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